sábado, 30 de agosto de 2014


20 dicas para ensinar crianças e adolescentes a lidar com dinheiro

Sophia Camargo
Do UOL, em São Paulo


Como ensinar as crianças a manter uma relação saudável com o dinheiro? 
Especialistas discutiram o assunto com pais, educadores e as próprias crianças no 1º Congresso Nacional de Educação Financeira para Crianças (Conefinho), ocorrido nesta quinta-feira (28), em São Paulo. 
Confira as principais dicas. 

20 dicas para ensinar a garotada a lidar com dinheiro
  • 1
    Dê mesada
    A mesada serve para ensinar a criança a administrar o dinheiro. Isso evita que o jovem fique perdido quando tiver um salário pela primeira vez
  • 2
    Ensine a criança a anotar seus gastos
    Estimule a criança a anotar quanto gastou da mesada e se conseguiu economizar. É um aprendizado para o futuro
  • 3
    Incentive a ter objetivos
    A criança deve ser estimulada a ter objetivos para o dinheiro. Por exemplo, comprar uma bicicleta ou um ingresso para um parque. Quando o dinheiro for suficiente, deixe que a criança pague
  • 4
    Estimule a poupança
    É possível ajudar o filho com motivações do tipo: se você conseguir juntar R$ 100, eu te recompenso com mais R$ 50
  • 5
    Ensine a importância do consumo consciente
    Não adianta ter dinheiro para comprar se não existir o bem à disposição. É preciso economizar os recursos naturais, como a água ou a energia, para o futuro
  • 6
    Dê o exemplo
    Não adianta falar para o filho não ser um gastador, se o pai ou a mãe se comportar como um consumidor compulsivo. Só compre algo se for realmente necessário e não por impulso. Controle-se também
  • 7
    Cuidado com o shopping
    Não acostume seu filho a passear no shopping e sair de lá carregado de sacolas. Prefira lugares como parques, teatros, bibliotecas. Procure passeios gratuitos
  • 8
    Ir ao supermercado pode ser uma boa aula
    Ir ao supermercado com crianças normalmente não é recomendado. Mas, se o objetivo for uma aula de economia, pode ser uma boa ideia. Ensine a escolher os produtos em promoção e os alimentos de época, que são mais baratos. Vá com uma lista e não saia dela
  • 9
    Ensine a generosidade
    Doe o que não for mais necessário. Antes de épocas como Natal, aniversário ou Dia das Crianças, faça uma triagem nos brinquedos e roupas e encaminhe para doação
  • 10
    Ensine a cultura da prosperidade
    Ensine o filho a não acumular coisas desnecessárias, para abrir espaço para o novo. Ter medo do futuro é manter um pensamento de escassez. O pensamento deve ser de confiança e prosperidade
  • 11
    Dê tempo em vez de presentes
    As crianças não devem ser estimuladas a trocar a companhia dos pais por presentes. Sempre que puder, passe tempo com seu filho e ensine seus valores
  • 12
    Respeite o valor das coisas
    Dinheiro, comida, roupas, brinquedos, tudo deve ser respeitado. Não permita que seu filho seja displicente com as coisas que compra, como dar uma mordida em um chocolate e jogar fora, ou comprar um brinquedo e deixar encostado
  • 13
    Não diga que quem economiza é pão-duro
    Estimule o filho a guardar uma parte da mesada, para que, no futuro, ele também guarde uma parte do salário. Isso ensina a criança a economizar para realizar seus objetivos e não depender de empréstimos
  • 14
    Ensine a moderação
    Os recursos naturais do mundo são escassos. Ensine a consumir com moderação, para que seja possível ter "o suficiente, para todos, para sempre"
  • 15
    Guardar dinheiro é hábito
    Ajude seu filho a criar o hábito da poupança para a realização dos sonhos. A partir dos 3 anos, dê um porquinho para guardar as moedas. O cofrinho pode ser marcado com o cartaz "dinheiro para a compra do carrinho ou da boneca"
  • 16
    Cuidado com a escolha da escola
    Os filhos não devem ser colocados em escolas cujo padrão social dos alunos é muito superior ao da família. Das duas, uma: ou a criança estará quase sempre excluída de passeios e outras atividades, ou a família se verá tentada a gastar mais do que pode para manter esse nível
  • 17
    Estimule hábitos saudáveis na alimentação
    Ensine o filho a comer de tudo e dê preferência à comida caseira. Além de mais barata, é saudável. É possível envolver a criança na preparação de alimentos também
  • 18
    Ensine limites
    Seja firme no "não". Se não pode comprar, não aceite a birra do filho. Ele não vai poder se jogar no chão quando for um adulto e não tiver o que quer
  • 19
    Não gaste mais do que ganha
    Não acostume seu filho a um padrão acima do que pode pagar. A família toda deve viver com o que ganha, e não com recursos de empréstimos. No primeiro "não" que o filho receber, vai achar que o pai é um fracassado
  • 20
    Cartão de crédito não é dinheiro
    Os adolescentes devem aprender que o cartão de crédito não é dinheiro. Seu uso tem um custo e, se não houver dinheiro para pagar no fim do mês, haverá juros altos
Fonte: Anibal Teixeira, empresário; Elaine Toledo, escritora; José Vignoli, educador financeiro; Marcela Kawauti, economista do SPC Brasil; Mauricio de Souza, empresário; Selma Vasquez, economista; programa Alimente-se Bem (Sesi); Instituto Akatu

Mauricio de Sousa tem quadrinhos para educação financeira

Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, criou o personagem "Marcelinho, o Certinho" inspirado em seu filho caçula, que, segundo ele, já nasceu politicamente correto e econômico.
"Uma vez estávamos indo ao shopping e o Marcelo me criticou por olhar uma roupa de marca. Disse que na loja mais barata seria possível comprar dez blusas com aquele dinheiro."
O empresário criou também uma série de histórias em quadrinhos, em parceria com o SPC Brasil, para melhorar a educação financeira das crianças. "A Magali gasta muito em comida, mas o Cascão está na moda: economiza água", diz.
O Conefinho recebeu cerca de 600 crianças de 12 escolas e 130 pais e educadores.

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tabagismo e saúde não conjugam (Por Fernando Leal da Costa)


(REPUBLICADO PELO "PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À CRIANÇAS E ADOLESCENTES" DA FUNDAÇÃO PORTAL DO PANTANAL)                       

 
Portugal aprovou a Convenção-Quadro da OMS para Controlo do Tabaco, de 2003, em Novembro de 2005 e desde então, apesar de alguma lentidão e hesitações no processo legislativo, tem dado passos seguros.





Quem fuma vive menos e vive pior. O tabaco está comprovadamente associado a um conjunto de doenças que geram perda de qualidade de vida e contribuem para uma morte mais precoce. Quem fuma tem maior risco de hipertensão e de aterosclerose, insuficiência cardíaca e respiratória, menos resistência ao esforço, menor memória, impotência sexual mais precoce, maior risco de enfarte do miocárdio e de acidente vascular cerebral.
Quase todos os cancros aparecem mais nas pessoas que fumam, mesmo naquelas localizações que se pensaria não serem influenciadas pelo tabaco, como o intestino e a mama. Não é só, longe disso, o cancro do pulmão e o da boca que podem surgir nos fumadores.
A prevalência global de fumadores em Portugal ronda os 20 %, consoante as fontes. No entanto, em torno dos 40 anos, cerca de 40% dos homens e 20% das mulheres fuma, como o Eurobarómetro de 2012 mostra. Nos últimos anos temos assistido a um crescimento do número de mulheres fumadoras com aumento do cancro do pulmão (que até aqui predominava nos homens) e de problemas obstétricos nesta população feminina.
As principais causas de morte, em 2012, ainda eram as doenças cardíacas e vasculares e o cancro. São causas evitáveis com medidas como o abandono do tabagismo.
Devido a doenças relacionadas com o tabaco, em 2011, morreram quase 27 mil das cerca de cem mil pessoas que morrem anualmente (Relatório DGS, 2013). Quatro mil morreram antes de completarem 65 anos. Se formos mais restritivos na análise, como Borges et al. em 2009, teremos cerca de 12 mil mortes anuais relacionadas com o tabaco. Corresponde a 35 mortes por dia.
A epidemia do tabagismo é provocada pelo homem. Por isso está também na nossa mão combatê-la e salvar vidas. Também foi o homem a desencadear a reflexão das suas consequências e a meter-se ao caminho. Na maior parte dos países, o debate partiu da ciência, dos médicos, para a esfera da decisão política, e o debate acendeu-se e tornou-se mediático. Fumar já não confere status ou glamour, bem pelo contrário, os mais pobres e os países mais pobres são os mais afetados.
A maioria das medidas que demonstradamente são eficazes para combater o tabagismo passa pelo controlo do acesso ao tabaco, atuar na publicidade, aumentar preços, limitar espaços onde se pode fumar e informar de forma sistemática sobre os riscos e prejuízos potenciais para quem fume. É preciso proteger as crianças, os trabalhadores e os não-fumadores da exposição passiva ao fumo, ao mesmo tempo que se tem de investir na ajuda à cessação tabágica, matéria em que a limitação dos espaço disponíveis para fumar tem um impacto significativo.
Há um conflito de interesses irreconciliável entre os interesses da indústria do tabaco, o interesse público e a saúde. A indústria do tabaco tem poder económico que usa para interferir com o poder político, exagerar sobre o seu peso na economia dos países, cria grupos de apoio e de pressão, tenta desacreditar a ciência e as provas existentes e, em última análise, usa a via judicial para defender os seus produtos nefastos (Tobacco Industry Interference; a Global Brief, OMS 2012).
O tema de 2014 para o Dia Mundial sem Tabaco é o das" Taxas e Impostos sobre os produtos com Tabaco". Apesar de muitos usarem o argumento da diminuição do retorno fiscal como razão de se manter e proteger o uso de tabaco, a verdade é que impostos mais altos têm efeitos indiscutivelmente benéficos, porque levam à diminuição do consumo e da carga de doença e, a médio prazo, os ganhos de saúde para a população são largamente compensados pela redução da receita. São os grupos socioeconomicamente mais débeis, onde a probabilidade de morrer é maior, que mais beneficiam com o aumento dos impostos sobre o tabaco.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, há, pelo menos, 200 mil mortes anuais de trabalhadores relacionadas com a exposição passiva ao fumo de tabaco. Daí a atenção dada à proteção dos trabalhadores da restauração e dos bares sujeitos à exposição prolongada ao fumo de tabaco. Nos EUA, a primeira interdição de fumar, a dos aviões comerciais, foi essencialmente exigida pelos sindicatos do pessoal de cabine. O Livro Verde Por uma Europa sem fumo: opções estratégicas a nível comunitário, da Comissão Europeia, deixa claro que não há impacto negativo no sector da restauração por restrição de fumo no interior das instalações.
O Estudo da DGS, Infotabac 2011, mostra que a maioria dos inquiridos, mais de 90%, tinha uma opinião favorável quanto à restrição de fumar em locais de uso público.  Um estudo do Eurobarómetro, divulgado em maio de 2007, já revelava que Portugal era o país com maior percentagem de apoio a medidas de restrição ao fumo em restaurantes (84%) e bares (74%), com valores de aprovação superiores a 90% para outros locais públicos.
A maioria dos fumadores quer deixar de fumar e concorda com as medidas que lhes reduzam a oportunidade para consumir tabaco. 99% (noventa e nove) dos fumadores começam a fumar antes dos 25 anos. 77% (setenta e sete) antes dos 18, 22% (vinte e dois) antes dos 15 anos, e 5% (cinco) antes dos dez. A dependência foi estabelecida, na esmagadora maioria dos fumadores adultos, quando eram crianças ou adolescentes. É neste grupo que precisamos de investir mais e mais cedo. Mais importante do que abandonar o vício, é impedir que ele comece.
Vale a pena ter os dentes estragados e amarelos, mau hálito permanente e rugas mais cedo? Será que os nossos jovens têm consciência disto tudo? Fumar não está associado a melhor aparência. Dentes com tártaro e dedos amarelos não se conjugam com juventude nem com saúde.
Secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde