terça-feira, 20 de março de 2012


Para Serra, assinatura de Serra equivale a ‘nada’ (Josias de Souza


Como na sina de Prometeu, José Serra está acorrentado a um suplício. Assumido em 2004 e desonrado em 2006, o compromisso de permanecer na prefeitura até o fim do mandato bica-lhe o fígado com a renitência de uma águia de mitologia grega.
Serra assinara o fatídico documento durante sabatina organizada pela Folha em 14 de setembro de 2004. Dali a dois anos, em 2006, deu o assinado por não rubricado e foi à sorte dos votos na campanha para governador.
Devolvido pelas circunstâncias às querelas municipais, Serra apresenta-se novamente como candidato a prefeito. Numa entrevista radiofônica, foi reinquirido sobre o rompimento do compromisso. Sua emenda piorou o soneto:
“Eu não assinei nada em cartório. Isso é folclore. Houve um debate, uma entrevista. O pessoal perguntou: ‘Se o senhor for eleito prefeito vai sair para se candidatar à Presidência?’ Eu disse que não. ‘Então assina aqui.’ Eu assinei um papelzinho. Não era nada…”
Serra não ignorava que o “papelzinho” viraria munição contra ele. No alvorecer da campanha atual, apressou-se em dizer que o sonho do Planalto “está adormecido”. Assegurou que se concentra agora na prefeitura. Jura que, eleito, governará a cidade até 2016.
Um observador incauto perguntaria: ora, se a assinatura de Serra tem perna curta, como levar ao pé da letra um lero-lero que não dispõe nem do anteparo de um “papelzinho.”

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012



Com entrada de Serra na disputa,

Haddad assume discurso de 

mudan



Com entrada de Serra na disputa, Haddad assume discurso de mudança
""
O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, admitiu nesta segunda-feira, 27, após visita à região da Freguesia do Ó e Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da Capital, que a entrada do tucano José Serra na disputa e a confirmação do apoio do PSD do prefeito Gilberto Kassab ao ex-governador o libera para encampar um discurso de mudança nesta campanha, com relação à administração da cidade. 'Fico mais tranquilo porque vou representar melhor as ideias que acredito, está mais adequado o candidato ao discurso', reconheceu o petista.
Haddad acredita que o eleitorado paulistano pede mudanças reais na gestão e que a cidade 'está sintonizada com este clima'. 'Sempre me coloquei como candidato com uma plataforma de mudança, nunca abdiquei deste discurso. Vejo que há muito subinvestimento na cidade', afirmou. O pré-candidato disse que aposta na memória do eleitorado com relação aos investimentos das últimas administrações do PT na cidade e conta com a boa avaliação do governo federal para conquistar os eleitores. 'Nosso horizonte é muito bom, são duas administrações com grandes realizações na cidade e um governo federal muito bem avaliado', apontou. Segundo Haddad, sua campanha pretende resgatar a história e os projetos que foram implementados pelo seu partido na cidade.

Haddad voltou a dizer que não se surpreende com a entrada de Serra no embate eleitoral: 'Estamos na sexta eleição do século XXI e é a quinta que ele (Serra) participará. Não vejo qual a surpresa disso.' Segundo Haddad, a entrada do tucano no cenário eleitoral não deverá alterar a política de alianças de sua campanha. Apesar de dizer que não há problemas nos partidos da base aliada terem candidaturas próprias neste pleito - como o PMDB que lançou na Capital o deputado federal Gabriel Chalita - o PT vai insistir nas negociações com PCdoB, PSB, PDT e PR e o próprio PMDB para eventuais alianças, seja no primeiro ou segundo turno.
Ultimamente, Haddad tem mantido conversas com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que é também presidente nacional do PSB, sobre um eventual acordo em São Paulo. Haddad também tem mantido conversas regulares com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se recupera de um tratamento contra um câncer na laringe.
O petista disse que espera de todos os candidatos uma campanha com menos ataques e mais propostas e lembrou que 'sempre frisou' que vai conduzir uma campanha propositiva. 'Eu penso que o cidadão nessa eleição estará com os ouvidos atentos para propostas concretas. É o que espero de todos os concorrentes. Tenho certeza de que, se não é a totalidade, a grande maioria vai se comportar desta maneira'. O pré-candidato ressaltou que o eleitorado espera uma campanha de alto nível, intelectual e ética.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


Jeito de candidato… Por Cristiana Lôbo


José Serra conversou com o governador Geraldo Alckmin na noite de quinta-feira sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo, foi aconselhado a decidir se entra ou não na disputa até o próximo domingo, data marcada para as prévias para a escolha do tucano que vai concorrer, mas ainda não tomou a decisão final. No entanto, está com jeito de candidato a prefeito de São Paulo.
Nestes últimos dias, ele tem conversado com políticos e também com ex-assessores sobre a possibilidade de voltar a disputar o cargo. Serra tem dito que a decisão final vai depender do arco de alianças partidárias que conseguir organizar – além do PSDB e do PSD, ele espera, também, o apoio do PPS e ainda tentará ampliar com outros partidos que sinalizam para o lado do PP, com o PSB, por exemplo.
Os mais próximos a Serra avaliam que ele deverá entrar na disputa, ainda que seu projeto político seja disputar mais uma vez a Presidência da República. Este caminho está mais complicado desde que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que Aécio Neves é o candidato óbvio do PSDB à presidência. Segundo um aliado, ele será muito mais ouvido em 2014 se estiver à frente da Prefeitura de São Paulo, que tem o terceiro maior orçamento do país, do que se estiver em casa. Mas se perder a disputa na capital de São Paulo, se esvaem juntos os sonhos de governar a prefeitura e o de disputar mais uma vez a Presidência da República

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


Alheios a Serra, rivais tucanos se preparam para o último debate antes das prévias de 4 de março




Enquanto José Serra rumina suas hesitações em silêncio, os quatro tucanos que se lançaram antes dele na disputa pela vaga de candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo se esforçam para provar que continuam no páreo.
José Aníbal, Bruno Covas, Ricardo Trípoli e Andrea Matarazzo confirmaram presença num debate marcado para a próxima segunda-feira (27). Será o quarto evento do gênero. O último antes das prévias marcadas para 4 de março.
Vai-se formando uma atmosfera de fato consumado que converte a eventual candidatura de Serra em ato de violência. Para que ele vire o postulante que dizia não ser, será preciso abater os pretendentes que gostaria que jamais tivessem sido.
O PSDB vive em São Paulo uma espécie de conto de fadas às avessas. No papel de rainha má, Serra pergunta ao espelho se existe no partido uma beleza maior do que a sua.
Obrigado a refletir a realidade, o espelho responde: “existe. Não uma, mas quatro”. Explica que a beleza não está nos rostos, tão feios quanto o dele, mas na coragem de abraçar um desafio que a realeza refugara.
Serra manda chamar Geraldo Alckmin, que faz o papel de lenhador. Pede que ele leve seus rivais à floresta, mate-os e se desfaça dos corpos. O problema é que o lenhador exibe uma compaixão mais condizente com o conto de Branca de Neve do que com a lenda partidária.
Fica entendido que, se quiser modificar a resposta do espelho, Serra terá de servir, ele próprio, as maçãs envenenadas. Até lá, estão mantidas as prévias. Nem que seja para preservar um mínimo de simulacro de imitação de treinamento de seriedade.

domingo, 19 de fevereiro de 2012


Se perder em 2012, PSDB se fragiliza para 2014

Líder petista considera que a eventual candidatura de José Serra pelo PSDB seria uma maneira do partido defender suas bandeiras


O senador Lindberg Farias(PT-RJ) avaliou que a eleição de 2012 para a prefeitura de São Paulo será um "tudo ou nada" para o PSDB. E que, uma derrota, irá fragilizar o partido para a disputa presidencial de 2014.

O líder petista considera que a eventual candidatura do ex-governador de São Paulo José Serra pelo PSDB seria uma maneira do partido defender suas bandeiras, mas afirmou que uma derrota seria bastante prejudicial para o futuro da sigla. "É o tudo ou nada para o PSDB e, se perder, sairá fragilizado para a disputa de 2014, tanto para o governo estadual quanto para o federal", afirmou.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra considerou que a eventual candidatura de Serra é a resistência ao projeto de hegemonia do PT. Na avaliação do senador petista, se Serra não for o candidato do PSDB, o partido abre mão da capital paulista. "E, dessa forma, abriria mão antecipadamente de um projeto nacional."

Lindberg Farias desfilou na madrugada deste domingo pela "Gaviões da Fiel", escola de samba cujo enredo homenageou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.





Tags:  PT, PSDB, Lindberg farias, candidatura

sábado, 18 de fevereiro de 2012


Mensalão testará força da Ficha Limpa


Agência Estado


A Lei da Ficha Limpa, declarada constitucional na quinta-feira depois de 18 meses de discussões e 11 sessões de julgamento, passará por seu grande teste no julgamento do processo do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dia após julgarem a lei - que impede a candidatura de políticos condenados e daqueles que renunciam para fugir de processos de cassação -, ministros do STF ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo defenderam que o tribunal julgue no máximo até o meio do ano a ação sobre o suposto esquema de compra de votos de parlamentares. Se condenados, caso não haja exclusão de nenhum réu, os 38 mensaleiros ficarão fora da política por cerca de 10 anos.
Entre os réus da ação estão políticos com pretensões eleitorais como o ex-ministro José Dirceu e os deputados João Paulo Cunha e Valdemar da Costa Neto. Se forem condenados pelo STF, que é um órgão colegiado formado por 11 ministros, os réus perderão o direito de se candidatar a cargos públicos, conforme estabelece a Lei da Ficha Limpa. Pela norma, os políticos condenados por órgãos colegiados são inelegíveis nos oito anos posteriores ao cumprimento da pena.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


Futura ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, diz que aborto é questão para o Legislativo


 A nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Minicucci (à esquerda), cumprimenta a ex-ministra da pasta, Irini Lopes (à direita), durante encontro com jornalistas em Brasília.

Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
07/02/2012 | 11h41 | Eleonora
     
A futura ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, defendeu nesta terça-feira que o aborto seja tratado como questão de saúde pública, mas ressaltou que a descriminalização é uma decisão do Legislativo. Ela disse também que, a partir do momento em que passa integrar o Executivo, não interessa mais sua posição pessoal. Eleonora tem formação feminista e, em entrevistas passadas, defendeu a descriminalização da prática e afirmou inclusive que já fez aborto.
"Quando eu aceitei convite da presidenta, eu sou governo. A matéria da descriminalização do aborto não diz respeito ao Executivo, diz respeito ao Legislativo", disse.
"O aborto não é uma questão de ideologia, mas uma questão de saúde pública, como o crack, a droga, a dengue, a Aids, como as doenças infectocontagiosas", acrescentou.
Questionada se pessoalmente era favorável ao aborto, a futura ministra respondeu:
"A minha posição pessoal sobre o aborto está em todos os jornais, em todas as entrevistas que eu dei. Mas a minha posição hoje é de governo".
Sobre o julgamento previsto para quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) - que vai analisar se o Ministério Público pode processar o agressor mesmo sem denúncia da vítima - a futura ministra se posicionou favoravelmente.
"Sou totalmente favorável que, mesmo a mulher não fazendo a denúncia, caso se comprove, que o agressor seja punido".
Eleonora também disse que, em sua gestão, a prioridade zero será o combate à violência doméstica e de gênero:
"O que eu tenho a dizer, e acho que a ministra (Iriny Lopes) concorda inteiramente, é que o combate à violência de gênero, doméstica e sexual é fundamental. No que se trata da violência doméstica, e sexual - estupros e assassinatos pós-estupros - todo esse processo de violência é prioridade zero. É marco zero nas nossas políticas".
Questionada se o fato de ser amiga de Dilma - as duas já foram companheiras de prisão na época da ditadura - pesou na sua escolha como nova ministra, Eloonora negou.
"Foi a minha trajetória profissional e militante, a seriedade da maneira como eu levo a minha vida profissional. Meu currículo me credencia para estar neste lugar. Eu não aceitaria, nem a presidente me convidaria, por ser amiga dela. Não se faz governo com amigos, mas com negociações para a governabilidade. E ela acredita no meu currículo", afirmou Eleonora, que também falou a respeito dos anos em que passou na prisão:
"Quem passou pelo que passamos na ditadura cresce, amadurece e não esquece nunca. São marcas que nos tornam mais fortes. E o tornar mais forte também nos torna mais sensíveis ao debate, sensíveis à espera sem se sentar numa cadeira esperando a banda passar. É uma espera com ação. Uma coisa que se aprende no íntimo de cada um de nós na tortura e na cadeia é a solidadriedade. E essa solidariedade é minha marca".
Lei Maria da Penha
A futura ministra avaliou que ainda é preciso avançar e implantar de fato a Lei Maria da Penha nos estados e municípios. A atual ministra, Iriny Lopes, também criticou a decisão judicial que determinou ao empresário Djalma Brugnara Veloso manter uma distância mínima de 30 metros de sua mulher, a procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo. Dias depois, ele a matou em Minas Gerais.
"Foi uma proteção de 30 metros. Que proteção é essa?", questionou Iriny.
Iriny também disse que haverá em março uma campanha para agilizar os processos que tramitam na Justiça envolvendo violência contra a mulher.
"Em março terá uma campanha para agilizar os processos que dizem respeito à Lei Maria da Penha e a homicídios (contra mulheres). Tanto o Executivo quanto o Judiciário precisam dar um sinal ao país de que não toleram a impunidade".
Iriny, que está de saída para ser pré-candidata à prefeitura de Vitória, também afirmou que sai contando com o apoio da presidente Dilma Rousseff.
"Eu saio com a concordância e o apoio da presidenta. Essa foi uma questão amplamente discutida com ela. Eu farei aquilo que é natural a fazer nesse processo. Retomo meu mandato de deputada e dentro do prazo que a lei eleitoral me permite, eu intensificarei as conversas com os partidos na minha cidade e com os setores sociais".
No final da entrevista, as duas se abraçaram e fizeram elogios uma a outra.
"Quero de público aqui cumprimentar toda a sua equipe e desejar um sucesso na sua nova empreitada como candidata. E desejar que ela ganhe pois precisamos de mulheres como ela na gestão pública dos municípios", disse Eleonora a Iriny.
Da Agência O Globo